De panfletos a carros de som: Campinas amplia luta contra o analfabetismo no Fevereiro Violeta

O prefeito de Campinas, Dário Saadi, e a secretária de Educação, Patrícia Adolf Lutz, participaram de abertura da campanha nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, em regional da Fumec no Ouro Verde.

A Prefeitura de Campinas lançou na tarde desta segunda-feira, 9 de fevereiro, a 13ª edição da campanha “Fevereiro Violeta” para intensificar a luta contra o analfabetismo. A cerimônia foi realizada na sede da regional sudoeste da Fundação Municipal para Educação Comunitária (Fumec), localizada no bairro DIC 4, distrito do Ouro Verde.

Neste ano, o tema da campanha é: “Os exercícios da cidadania e os desafios da superação do analfabetismo de Campinas na Educação de Jovens e Adultos”. A abertura teve peça teatral para retratar a importância da educação no combate à invisibilidade social e apresentação musical. 

“A alfabetização significa garantir dignidade, prosperidade e inclusão no trabalho. Muita gente que não teve no passado a oportunidade de aprender a ler e a escrever sente vergonha. Precisou trabalhar, cuidar da casa e isso não pode ser motivo de vergonha. Quem conhece alguém assim precisa conversar e incentivar esta pessoa a procurar pela Fumec para ingressar na educação de jovens e adultos [EJA]”, ressaltou o prefeito Dário Saadi.

Crédito: Rogério Capela/PMC

Imagem mostra lançamento da campanha Fevereiro Violeta, em Campinas

Campanha Fevereiro Violeta foi lançada em sede regional da Fumec nesta segunda, 9

Como será a campanha?

A mobilização deste ano terá divulgação nos meios de comunicação tradicionais e nas redes sociais. Além disso, haverá carros de som circulando por todas as regiões do município para incentivar a volta às salas de aula durante 18 ações por semana. 

Também estão previstas a distribuição de mais de 2 mil panfletos e a fixação de pelo menos 700 cartazes em ônibus municipais e em estabelecimentos comerciais da cidade.

Cerca de 1,6% da população campineira com mais de 16 anos é analfabeta, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O percentual equivale a 14 mil pessoas e os dados deste levantamento foram coletados em dezembro de 2025.


2022 – IBGE (pesquisa)
 

  • Campinas – 22.881 pessoas não alfabetizadas (2,41% da população à época)


2025 – TSE (autodeclaração)
 

  • Campinas – 14.015 pessoas não alfabetizadas (1,64% da população total)


A secretária de Educação de Campinas e presidente da Fumec, Patrícia Adolf Lutz, explicou que as medidas reforçam as “buscas ativas” realizadas pela Prefeitura para tentar identificar possíveis candidatos às turmas da educação de jovens e adultos. ​​​​​​

“É muito importante lembrar que os interessados podem se matricular nos anos iniciais da EJA durante o ano todo. É gratuito e são necessários apenas o documento de identidade e o comprovante de residência para realização de cadastro”, afirmou a secretária. Na campanha do ano passado foram mais de 200 abordagens que resultaram em 112 novas matrículas na EJA No período da ação. 

O Fevereiro Violeta vai até 6 de março e conta com apoio do Grupo EP, representado no evento desta tarde pelo gerente de relações institucionais, Marcelo Ferri.

Crédito: Rogério Capela/PMC

Imagem mostra Hermelino de Oliveira, aluno da EJA

Prefeito Dário Saadi destacou importância da campanha

Contexto em Campinas

A EJA é dividida em etapas equivalentes ao ensino regular para jovens (a partir de 15 anos) e adultos que não se alfabetizaram ou não concluíram o ensino fundamental. Os anos iniciais (1º ao 5º ano) focam na alfabetização e letramento, enquanto os anos finais (6º ao 9º ano) aprofundam conteúdos e preparam os participantes para o ensino médio. 

“Eu me sentia muito parado, muito sozinho. Quando entrei aqui, minha vida melhorou bastante e fiquei mais feliz. Além de aprender muito, o ambiente é acolhedor, ainda mais para mim, que sou cadeirante. Tive todo o apoio para continuar estudando. Quem teve que sair da escola como eu não precisa ter vergonha, pode vir, que a EJA vai melhorar muito sua vida”, contou Hermelino de Oliveira, de 69 anos, aluno da Fumec.

O diretor dos Programas de EJA, José Batista Filho, explicou que a campanha faz parte de um trabalho permanente com parcerias em diferentes áreas. “A EJA atua de maneira articulada com diferentes políticas públicas de diversas áreas. Essa atuação integrada amplia a identificação de pessoas em situação de analfabetismo e fortalece as estratégias para garantir o acesso e a permanência na escola”, ressaltou. A lista de de medidas inclui as ofertas de uniformes, materiais didáticos, alimentação e transporte.

Ele frisou que Campinas já foi reconhecida com o Selo de Município Livre do Analfabetismo – quando o município registra alfabetização superior a 96%, mas é preciso avançar. “Enquanto houver um analfabeto é preciso ter políticas públicas”, disse Batista.

Quem não finalizou o ensino médio ou busca formação profissional é encaminhado aos serviços das escolas estaduais e do Centro de Educação Profissional de Campinas (Ceprocamp), responsáveis por essas áreas, respectivamente.


Estatísticas e orientações

Entre 2013 e 2025, a Fumec atendeu aproximadamente 44 mil alunos na modalidade Educação de Jovens e Adultos EJA – Anos Iniciais. Em 2024 e no ano passado foram ofertadas 104 turmas em cada período. 

Desde a criação do Fevereiro Violeta, em 2014, a iniciativa passou a registrar um impacto significativo no aumento do número de matriculados e atualmente a EJA – Anos Iniciais possui 77 salas de aula ativas.

As matrículas podem ser feitas diretamente em salas de aula ou nas regionais da Fumec. Mais informações sobre a EJA e o Ceprocamp estão em: https://www.fumec.sp.gov.br.

Crédito: Rogério Capela/PMC

Apresentação musical durante abertura da campanha de luta contra o analfabetismo

Lançamento de campanha em Campinas teve apresentação musical