Município integra as Rotas Afro, iniciativa do Ministério do Turismo com roteiros em cinco municípios sobre a presença negra na formação histórica e cultural do interior paulista.
O Ministério do Turismo incluiu Campinas em seu mapeamento nacional de afroturismo. A cidade aparece na 13ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo (BIMT), publicada em maio de 2026 e dedicada ao segmento. O documento reúne experiências, destinos e roteiros relacionados à cultura, à história e ao patrimônio afro-brasileiro em todas as regiões do país. O documento pode ser acessado no link https://www.gov.br/turismo/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/rede-inteligencia-mercado/bimt-afroturismo_compressed-1.pdf.
Campinas consta como um dos municípios das Rotas Afro, iniciativa que percorre cinco cidades do interior de São Paulo: Piracicaba, Campinas, Vinhedo, Rio Claro e Sorocaba. Os roteiros são realizados por meio de caminhadas guiadas com o apoio de recursos tecnológicos.
Segundo o boletim, as Rotas Afro percorrem territórios que revelam arquiteturas, marcos urbanos e narrativas afro-brasileiras que, ao longo da história, foram pouco reconhecidas ou deliberadamente omitidas dos registros oficiais e dos roteiros culturais tradicionais.
Durante os percursos, os visitantes são convidados a conhecer e a refletir sobre monumentos históricos, antigos clubes sociais negros e irmandades religiosas.
Os clubes sociais negros foram criados no pós-abolição, quando a população negra era excluída dos espaços de lazer e sociabilidade frequentados por brancos. As irmandades religiosas, por sua vez, são associações de leigos negros vinculadas à Igreja Católica que, desde o período colonial, desempenharam papel central na organização comunitária, na compra de alforrias e na preservação de tradições de origem africana.
A iniciativa parte de uma perspectiva afrocentrada, ou seja, interpreta os territórios e a história das cidades a partir do protagonismo e das contribuições da população negra, em contraste com as narrativas convencionais, que tendem a privilegiar outros grupos na construção dessas memórias. O objetivo, conforme o BIMT, é destacar a participação dos negros na formação social, cultural e econômica dessas cidades e do interior paulista, promovendo conexões entre memória, território e identidade.
Ações educativas
As Rotas Afro desenvolvem também ações educativas. O Rotas Afro nas Escolas é voltado a estudantes da rede de ensino. O Rotinhas Afro é elaborado para o público infantil, com conteúdo e percursos adaptados a diferentes faixas etárias. O contato com a iniciativa pode ser feito pelo perfil @rotasafro no Instagram.
O BIMT é uma publicação periódica do Ministério do Turismo voltada ao mapeamento de segmentos e tendências do turismo nacional. A edição de maio de 2026 foi produzida em colaboração com estados, municípios, comunidades tradicionais, quilombos, terreiros, coletivos culturais e empreendedores negros de todas as regiões do país.
O afroturismo é definido pelo Ministério do Turismo como uma forma de praticar turismo a partir de roteiros e experiências que apresentam a história e a cultura da afrodiáspora, ou seja, da dispersão de povos africanos pelo mundo em razão da imigração forçada durante o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. No Brasil, o segmento é tratado como ferramenta educativa e como instrumento de promoção da igualdade racial e do empreendedorismo negro.
