O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas realizou uma reunião com representantes da rede hospitalar do município, na tarde desta terça-feira, para reforçar orientações sobre a organização dos serviços diante do registro de casos de sarampo no Estado.
Campinas não registra casos de sarampo desde 2021 e, no ano passado, alcançou cobertura vacinal de 98,30% para a primeira dose da tríplice viral e de 92,41% para a segunda. No entanto, o Estado de São Paulo já contabiliza 16 casos da doença em 2026. Países como Estados Unidos, Canadá e México enfrentam surtos de sarampo.
Entre os temas abordados, estiveram:
– sensibilização dos serviços em relação a suspeição de casos de sarampo;
– a importância de realizar a coleta de exames para o diagnóstico de sarampo;
– orientação de isolamento para casos suspeitos;
– organização dos serviços de saúde para rápida detecção de casos suspeitos.
“Abordamos a importância de sensibilizar os profissionais da ponta para que pensem no sarampo e aumentem a suspeição de casos. Devemos organizar os serviços, manter os profissionais com a caderneta de vacinação atualizada e estruturar uma triagem que minimize a exposição de casos suspeitos no ambiente hospitalar”, elenca Carolina Bueno Somense, enfermeira do Devisa.
Ela também cita a importância da comunicação e da capacitação das equipes.
“Oferecer máscaras aos pacientes, fixar cartazes de orientações, cada serviço deve trabalhar com seus profissionais sensibilizando as equipes, organizando fluxos internos de acordo com a realidade de cada serviço”, acrescenta.
A profissional ainda destaca a importância da identificação precoce dos casos pelos serviços de saúde. “Se o paciente preencher os critérios de suspeita para sarampo, o caso deve ser notificado, investigado por meio de exames laboratoriais, com orientação para isolamento e adoção de todas as medidas de controle, como bloqueios vacinais”, explica.
O encontro contou com a presença de 59 profissionais dos Núcleos de Vigilância Epidemiológica, das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs) e de prontos-socorros das seguintes unidades de saúde:
– Rede Mário Gatti (hospitais Mário Gatti e Ouro Verde e UPAs)
– Centro Infantil Boldrini
– Caism e Hospital de Clínicas da Unicamp
– Casa de Saúde – Hospital São Leopoldo Mandic
– Devisa e equipes de Visa
– Fundação Centro Médico de Campinas
– Hospital da PUC
– Hospital Irmãos Penteado
– Hospital Maternidade de Campinas
– Hospital Samaritano Campinas
– Hospital Santa Tereza
– Hospital São Luiz Campinas
– Hospital Sobrapar
– Hospital Madre Theodora
Busca ativa
A Secretaria de Saúde de Campinas iniciou a intensificação da busca ativa por crianças com vacinação pendente contra o sarampo. A Pasta identificou 11.837 crianças de até 4 anos com registros de imunização contra a doença pendentes e vai realizar contato com essas famílias.
O Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) de Campinas identificou os casos em que há falta de registro da primeira ou da segunda dose da vacina tríplice viral ou da tetraviral no sistema e-SUS.
Isso pode significar que a criança realmente está com o esquema vacinal incompleto, mas a ausência do registro também pode ocorrer porque ela foi imunizada em outra cidade ou na rede privada, ou ainda por inconsistências no sistema.
Com base no levantamento realizado, equipes da rede municipal de saúde vão avaliar cada caso e entrar em contato com as famílias das crianças com pendências para convocá-las para a vacinação.
Multivacinação
Nesta segunda-feira, teve início uma campanha de multivacinação, que inclui ações de imunização em escolas, um mutirão no Campinas Shopping, no dia 8 de agosto, e o Dia D, em 22 de agosto.
Além disso, na última quinta-feira, o Devisa já havia realizado uma reunião com representantes de escolas públicas e privadas da cidade para alertar sobre o cenário do sarampo. O objetivo foi reforçar as orientações sobre prevenção e as medidas a serem adotadas diante de casos suspeitos.
Quem deve se vacinar contra o sarampo?
A vacina tríplice viral (SCR) protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para todas as pessoas que não possuem o esquema vacinal completo, independentemente da idade. O calendário vacinal prevê a aplicação da vacina ainda na infância: a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
Pessoas que não seguiram o calendário também devem ser imunizadas conforme o seguinte esquema:
– De 5 a 29 anos: duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias;
– De 30 a 59 anos: uma dose;
– Trabalhadores da saúde: duas doses, independentemente da idade.
Mais informações estão disponíveis no site da vacinação da Prefeitura de Campinas: https://vacina.campinas.sp.gov.br
Atenção aos sintomas
A Saúde Municipal reforça a importância de a população ficar atenta ao surgimento de manchas vermelhas (exantema) no corpo e febre, acompanhadas de um ou mais dos seguintes sintomas:
– Tosse seca;
– Irritação nos olhos (conjuntivite);
– Nariz escorrendo ou entupido;
– Mal-estar intenso.
A orientação é procurar atendimento em uma unidade de saúde diante de qualquer suspeita. Os profissionais de saúde também devem considerar o histórico de viagem de pacientes com sinais suspeitos da doença para que haja notificação rápida e adoção das medidas de controle.
