Mulheres se destacam na Engenharia Civil na Campinas

Elas são responsáveis por contratos e obras fundamentais para a melhoria da qualidade de vida na cidade.

O universo da Engenharia Civil é, até hoje, marcado pela presença masculina. De acordo com dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) atualmente são cerca de 20% de mulheres registradas na profissão, com potencial de crescimento. Na Prefeitura de Campinas há 136 engenheiros civis, sendo 31 mulheres e 105 homens, em diversas secretarias, em especial na Infraestrutura.
 

A Engenharia Civil é um dos cursos de formação mais antigos do Brasil. Ao lado de Direito e Medicina, sua criação ocorreu antes de 1900.Um dos primeiros centros de ensino de Engenharia Civil do Brasil foi a Escola Politécnica de São Paulo, de 1893, com o objetivo de preparar o país para o desenvolvimento industrial.
 

Embora historicamente os homens sejam maioria na profissão, o número de mulheres vem crescendo na Engenharia Civil e ganhando cada vez mais espaço. Neste mês de março, quando diversas atividades marcam o Dia Internacional da Mulher, a Prefeitura de Campinas destaca a importância do papel feminino na gestão de contratos e fiscalização de obras de engenharia no município.


Tratamento profissional
 

Lilaine Dalmolin Affonso é engenheira civil e está há 33 anos na Prefeitura. Passou pelas Secretarias de Urbanismo, Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Saúde e atualmente na Infraestrutura.
 

Formada na Unicamp, conta que, na época, havia apenas quatro mulheres na turma de 70 alunos. Mesmo assim, nunca sentiu nenhum tipo de constrangimento por ser minoria.
 

Decidiu estudar Engenharia Civil porque o pai tinha uma construtora e tinha incentivo dele para buscar a formação. “Fui para a Engenharia Civil porque queria trabalhar com meu pai. Sempre me identifiquei com essa área. Meu irmão nunca quis”.
 

A engenheira civil Luciana Pereira Pedroso Padovani Valarini, há 13 anos na Prefeitura, e Mariana Tiemi Massuda, há quatro anos na administração pública ambas na Secretaria de Infraestrutura, contam que nunca sentiram diferença no trato profissional por ser mulher nessa profissão.


“Não me sinto diferente dos homens. Não vejo esse tratamento diferente”, diz Luciana. 
 

Crédito: Carlos Bassan

Engenheiras da Secretaria de Infraestrutura

Profissionais atuam na gestão de contratos e fiscalização de obras da cidade


Reconhecimento do trabalho
 

Tarsila Carolina Gonçalves Bonaldo Martins, trabalha há dois anos e meio na Prefeitura, é formada pela Unicamp e atua na Secretaria de Infraestrutura.
 

A engenheira conta que é respeitada pelo trabalho que desenvolve, mas ainda percebe que as mulheres tendem a ser elogiadas pela feminilidade, como “deixar o ambiente mais florido” ou “mais alegre”, enquanto o mais importante é ter o reconhecimento pela técnica, pelo trabalho que desempenha. “Esse tipo de ‘brincadeira’ no trabalho não seria feita com um homem”, considera.
 

Profissão para mulher, sim!
 

A engenheira civil Angela Paula Amadio, trabalha há 23 anos na Prefeitura. Começou como auxiliar administrativo, cursou Engenharia Civil e há 13 anos passou a atuar como engenheira. Atuou em várias secretarias municipais.
 

Angela conta que uma vez passou por um episódio no qual um engenheiro homem, de uma empresa externa, informou claramente que não queria que fosse ela a analisar o projeto na Prefeitura. “Não havia nenhum problema técnico e a análise foi mantida”, conta.
 

Kariny Neri, há cinco anos na Secretaria de Infraestrutura, conta que dentro da própria família já houve o questionamento sobre ela “seguir uma profissão de homem”. Kariny nunca se intimidou e seguiu em frente. Atualmente, está no grupo de engenheiros que acompanha algumas das obras mais importantes de Campinas, a construção dos reservatórios antienchente. “A sensação é que precisamos sempre provar que temos conhecimento técnico”, completa.


Ana Cristina Camilo do Amaral, está há 28 anos na Prefeitura, na área de formação. “Quando estudei havia 12 mulheres no curso, com um total de mais de 60 alunos. Nunca tive problemas com isso e me dava bem com os colegas de turma. Agora minha filha também vai prestar vestibular para Engenharia Civil.”

Crédito: Carlos Bassan

Engenheiras da Secretaria de Infraestrutura reunidas em volta de computador

Presença feminina cresce na Engenharia Civil e ganha espaço na administração pública