Campinas vem ampliando as ações para enfrentar os eventos climáticos extremos, com medidas voltadas para proteger a população, a infraestrutura urbana e os serviços públicos. O conjunto de iniciativas, já implementado, reúne ações, projetos e novas medidas para os próximos meses.
De acordo com o diretor da Defesa Civil, Sidnei Furtado, o trabalho visa antecipar os riscos e preparar a cidade para responder de forma cada vez mais rápida e integrada aos eventos climáticos extremos.
“Campinas vem fortalecendo o monitoramento, a capacitação das equipes e a atuação conjunta das diferentes áreas da cidade para proteger a população e reduzir os impactos de situações como ondas de calor, incêndios, estiagens e chuvas intensas”, explica o diretor da Defesa Civil. “É um trabalho permanente, que exige planejamento, integração e participação de toda a cidade”, reforça.
As ações integram o Plano Local de Ação Climática e o Plano Local de Resiliência e Redução de Riscos de Desastres e abrangem diferentes áreas da Administração Municipal.
“A crise climática exige que a cidade esteja sempre um passo à frente do risco. Em Campinas, estamos transformando informação, planejamento e integração em capacidade de antecipar eventos extremos, reduzir vulnerabilidades e, acima de tudo, proteger vidas”, destaca o secretário do Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade, Braz Adegas Júnior.
Monitoramento e emissão de alertas
A cidade implantou 12 das 21 estações meteorológicas anunciadas no primeiro semestre. São 10 em escolas municipais, uma no Museu da Imagem e do Som (MIS) e uma na Mata de Santa Genebra. Os equipamentos fazem medições automáticas e enviam dados à Defesa Civil a cada cinco minutos, monitorando temperatura, umidade, chuva, ventos, pressão atmosférica, radiação solar e concentração de gás carbônico (CO₂).
Radar meteorológico
A cidade conta com um radar meteorológico metropolitano no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), na Unicamp, em operação desde dezembro de 2025 e com alcance de 100 quilômetros a partir da região onde está instalado. Também conta com quatro dos oito drones previstos, equipados com câmeras térmicas, e binóculos infravermelhos utilizados pela Defesa Civil.
Alertas
A população recebe alertas sobre situações de risco por diferentes canais, como celulares, SMS e painéis digitais. Os sistemas são utilizados, por exemplo, para avisos relacionados a alagamentos e outros eventos extremos.
Refúgios climáticos e hidratação
A rede de refúgios climáticos começou a ser implantada em Campinas para proteger a população durante períodos de calor extremo, como praças, bibliotecas e outros equipamentos públicos. O objetivo é oferecer sombra, ambientes climatizados, bebedouros e estrutura de acolhimento.
Entre as medidas está a instalação de 40 bebedouros em diferentes pontos da cidade. Foram instalados sete equipamentos, sendo quatro na Lagoa do Taquaral, no bairro Taquaral; um no Bosque da Paz Yitzhak Rabin, no Jardim Madalena; um no Parque Ecológico Benevenuto Tilli, no Jardim São Domingos; um no Bosque dos Jequitibás, no Bosque. Os próximos pontos contemplados serão Parque Dom Bosco, no Vida Nova; e no Bosque Chico Mendes, no Parque Santa Bárbara.
Microflorestas e conforto térmico
Campinas conta com 29 microflorestas, que somam cerca de 46 mil mudas de árvores plantadas. A cidade prevê a implantação de outras 13 microflorestas até março de 2027, principalmente em áreas identificadas como ilhas de calor.
A ampliação da cobertura vegetal contribui para melhorar o conforto térmico, aumentar a arborização e ampliar a capacidade de adaptação da cidade aos efeitos das mudanças climáticas.
Adaptação ao calor
A cidade também está ampliando as ações para melhorar o conforto térmico em escolas e unidades de saúde. Foram substituídos os telhados de 50 escolas, com previsão trocar em mais 50 unidades, além da climatização, com ar-condicionado, de 42 escolas municipais. Também está previsto o plantio de árvores nas unidades de educação, priorizando áreas mais vulneráveis às ondas de calor.
No Hospital Municipal Ouro Verde está prevista a climatização da unidade, com início previsto para novembro de 2026.
Prevenção e combate a incêndios
As ações de prevenção e combate a incêndios foram reforçadas, com a instalação de um reservatório na Mata de Santa Genebra para apoio às ocorrências na região. No Pico das Cabras, em Joaquim Egídio, foi implantado um protocolo integrado de prevenção e combate a incêndios, em parceria com Morungaba e Itatiba.
A cidade também utiliza drones com câmeras térmicas no monitoramento de áreas de risco e mantém a capacitação de equipes para atuação durante períodos de estiagem.
Infraestrutura e prevenção
As ações de prevenção também incluem grandes obras para reduzir os impactos das chuvas intensas. A cidade está construindo reservatórios para armazenamento de água da chuva em áreas mais propensas a alagamentos e enchentes, os chamados piscinões.
Outra frente permanente é a limpeza e a manutenção dos 48 córregos da cidade, feito três vezes por ano em cada um, além da intensificação da limpeza de bocas de lobo e galerias de águas pluviais, que ampliam o escoamento da água da chuva.
Para a região central, está prevista, a partir do início de 2027, a implantação de três parques lineares, com investimento total de R$ 23 milhões. As intervenções estão associadas às obras de macrodrenagem e à redução dos riscos de alagamentos.
Treinamento da população
Equipes multissetoriais da cidade promovem
