No Dia Internacional da Enfermagem, Lorena Fatureto fala sobre o que significa escolher, todos os dias, estar ao lado de quem mais precisa.
Aos 17 anos, Lorena Fatureto deixou Uberaba (MG) sem ter certeza do que queria, mas com clareza sobre quem era. Sabia que sua sensibilidade e empatia apontavam para as pessoas. Escolheu a enfermagem. Quase duas décadas depois, ela define a profissão com a mesma simplicidade direta de quem a vive por dentro: “Um dia típico da enfermagem é uma arte de cuidar em um amplo sentido.”
Há 18 anos na atenção primária de Campinas, Lorena é enfermeira do Centro de Saúde Orosimbo Maia e faz parte de uma categoria que, neste 12 de maio, Dia Internacional da Enfermagem, é celebrada em todo o mundo. A rede de saúde do município conta com cerca de 1.450 profissionais que atuam nos serviços assistenciais, entre enfermeiro, auxiliares e técnicos de enfermagem.
Nesta quinta-feira (14), ela ministra palestra para colegas da área num encontro em comemoração à Semana da Enfermagem organizado pela Saúde para falar sobre autocuidado como parte essencial da identidade de quem escolheu cuidar.
Muito além do jaleco
Para quem está do lado de fora, enfermagem pode parecer sinônimo de procedimentos e plantões. Para Lorena, a profissão é outra coisa. “Vai além da assistência direta. Envolve educação em saúde, gestão de equipes, organização de processos de trabalho, vigilância em saúde, parcerias com a comunidade e planejamento de ações.”
No cotidiano da atenção primária, isso se traduz em atendimentos individuais e coletivos, visitas domiciliares, grupos terapêuticos de prevenção e promoção da saúde. Tudo exige o que ela chama de uma postura presente, ativa e receptiva. “Exige muita sensibilidade, empatia, resiliência e inteligência emocional.”
Escuta como ferramenta de cuidado
A enfermagem é, por natureza, a profissão que permanece. Enquanto outros profissionais de saúde passam, o enfermeiro fica — acompanhando, monitorando, acolhendo. E é nessa permanência que mora tanto a riqueza quanto o desafio da profissão.
“Lidar com o sofrimento e a vulnerabilidade dos seres humanos é um desafio constante, pois cada indivíduo é um universo de complexidade, com formas singulares de sentir e enfrentar a dor”, diz Lorena.
Há uma frase que ela tem como princípio: “O acolhimento de cada ser, na sua inteireza e verdade, constrói todos os dias o sentido de estar aqui e fortalece a estrada de ser enfermeira.” É essa visão que Lorena leva para além dos seus atendimentos.
