Espetáculo “Como se Fosse” marca os 20 anos da Lei Maria da Penha com apresentações em Campinas

O Grupo Matula Teatro retorna a Campinas no dia 7 de agosto com o espetáculo “Como se Fosse”, em uma programação que marca os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Com direção de Verônica Fabrini, a montagem será apresentada gratuitamente na Sala dos Toninhos, na Estação Cultura, em duas sessões: às 15h, destinada a servidoras e servidores de Campinas, e às 20h, aberta ao público, com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição. O evento conta com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas. Premiado e reconhecido por sua abordagem sensível e contundente, o espetáculo narra a história de duas mulheres da mesma família, separadas por 18 anos, que compartilham experiências marcadas pela violência doméstica e familiar. Enquanto uma conversa com a filha entre linhas e tecidos de costura, a outra ensaia, diante de um gravador, palavras que pretende dizer a alguém que ainda não chegou. As histórias revelam diferentes fases do ciclo da violência e convidam o público à reflexão sobre um problema que ainda atinge milhares de mulheres no Brasil. Baseada em texto da dramaturga espanhola Gracia Morales, a montagem ganhou uma adaptação realizada pelas atrizes Alice Possani e Erika Cunha, em diálogo com a autora. A versão brasileira incorporou dados sobre a violência de gênero no país, ampliando o olhar da obra para além da experiência individual e evidenciando a dimensão social do tema. Segundo o grupo, a proposta é estabelecer uma conexão direta com o público, alternando momentos de tensão, humor e delicadeza para estimular o debate sem perder a sensibilidade. A narrativa evidencia como a violência pode se repetir entre gerações e acompanha a tentativa da personagem mais jovem de romper esse ciclo. Na encenação, Alice Possani e Erika Cunha se revezam nos papéis de mãe e filha, construindo uma narrativa fragmentada por memórias e diferentes perspectivas familiares. A direção explora recursos cênicos que reforçam a ideia de repetição, como situações recorrentes, objetos simbólicos e a alternância dos papéis entre as atrizes. O figurino, assinado por Anna Kühl, utiliza peças reutilizadas e transformadas para representar aspectos de memória e herança familiar. A trilha sonora original foi composta por Dudu Ferraz especialmente para o espetáculo, dialogando diretamente com a atuação e contribuindo para a construção das atmosferas da cena. A iluminação e a cenotecnia, de Eduardo Albergaria, apostam em um cenário minimalista, valorizando o jogo entre luz e sombra. Como forma de homenagear vítimas da violência de gênero, o espetáculo também apresenta um grande varal com roupas bordadas com os nomes de mulheres vítimas de feminicídio na Região Metropolitana de Campinas, reforçando o caráter de denúncia e de memória da montagem. Serviço: Espetáculo: Como se Fosse. Data: 7 de agosto de 2026. Sessões: • 15h – destinada a servidoras e servidores de Campinas; • 20h – aberta ao público, com acessibilidade em Libras e audiodescrição. Classificação indicativa: 16 anos. Duração: 60 minutos. Ingressos: gratuitos, com retirada uma hora antes do início de cada sessão.